Histórias de independencia
«Evoquei alguns episódios das novelas de rádio, letras de rancheras e outros ingredientes da minha invenção e comecei imediatamente com a história de uma donzela apaixonada por um bandoleiro, um verdadeiro chacal que resolvia até o mais pequeno contratempo com balázios, semeando a região de viúvas e órfãos. A jovem não perdia a esperança de o redimir com a força da sua paixão e a doçura do seu carácter e, assim, enquanto ele andava a fazer as suas patifarias, ela recolhia os próprios órfãos produzidos pelas insaciáveis pistolas do malvado. A sua chegada a casa era como um vento do inferno, entrava aos pontapés nas portas e a disparar para o ar, ela suplicava-lhe de joelhos que se arrependesse das suas crueldades, mas ele gozava com ela dando tremendas gargalhadas que estremeciam as paredes e gelavam o sangue. Que se passa, beleza?, perguntava aos gritos enquanto as crianças aterrorizadas se escondiam no armário. Como estão os miúdos?, e abria a porta do móvel para os puxar pelas orelhas e tirar-lhes as medidas. Ora aí está!, estou a ver que estão muito crescidos, mas não te preocupes, que num abrir e fechar de olhos vou à aldeia e faço-te outros órfãozinhos para a tua colecção. E assim decorreram os anos e foram aumentando as bocas para alimentar, até que um dia a noiva, cansada de tanto abuso, compreendeu a inutilidade de continuar à espera da redenção do bandido e sacudiu a bondade. Fez uma permanente, comprou um vestido vermelho e transformou a casa num lugar de festa e divertimento, onde se podiam comer os mais saborosos gelados e o melhor leite com malte, fazer toda a espécie de jogos, dançar e cantar. As crianças divertiam-se muito a atender a clientela, acabaram-se as penúrias e misérias e a mulher estava tão contente, que esqueceu as desgraças de antigamente. As coisas corriam muito bem; mas os falatórios chegaram aos ouvidos do chacal e uma noite apareceu como de costume, batendo nas portas, disparando para o tecto e perguntando pelas crianças. Teve uma surpresa. Ninguém tremeu na sua presença, ninguém foi a correr para o armário, a jovem não se atirou aos seus pés a implorar compaixão. Todos continuaram alegremente nas suas ocupações, uns a servir gelados, outros a tocar bateria e tambores e ela a dançar o mambo em cima de uma mesa com um espalhafatoso chapéu decorado com frutas tropicais. Então o bandido, furioso e humilhado, partiu com as suas pistolas em busca de outra noiva que tivesse medo dele e, vitória, vitória, acabou-se a história.»
Em Eva Luna, Isabel Allende
Adeus Amor (Bye, Bye) - Clã
Adeus amor que cresci
Já pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
Que de bom tinha a beber
Adeus amor, vou embora
Não me impeças por favor
Sabes que só vou agora
Porque dei tempo ao amor
Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial
Adeus amor já me cansa
A canção do teu cinismo
Essa pose de quem dança
Sempre à beira do abismo
Adeus amor que cresci
Pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
E há mais mundo a beber
Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial
Adeus amor que cresci
Já pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
Que de bom tinha a beber
Adeus amor, vou embora
Não me impeças por favor
Sabes que só vou agora
Porque dei tempo ao amor
Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial
Adeus amor já me cansa
A canção do teu cinismo
Essa pose de quem dança
Sempre à beira do abismo
Adeus amor que cresci
Pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
E há mais mundo a beber
Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial
Pois é, minha linda menina, Quando a vida for "madrasta", veste 2o vestido vermelho" e "dança um mango em cima da mesa". Dá a volata por cima. Sei que vais ser capaz.
Um beijo
M
Cratera de
Anónimo |
08:53