« Home | XX FESTAE de 12 a 27 de Setembro em Évora » | Mais uma semana e lá estaremos outra vez! » | Chico Buarque - O Que Será? » | Parabéns e Obrigada Nelson e Vanessa! » | Certainly he is the Rocket Man » | Um concerto surpreendente! » | Vai mas é para a caminha pá! » | Coldplay - Viva la Vida » | Podia passar o dia a ouvir esta música » | Juno »

Histórias de independencia

«Evoquei alguns episódios das novelas de rádio, letras de rancheras e outros ingredientes da minha invenção e comecei imediatamente com a história de uma donzela apaixonada por um bandoleiro, um verdadeiro chacal que resolvia até o mais pequeno contratempo com balázios, semeando a região de viúvas e órfãos. A jovem não perdia a esperança de o redimir com a força da sua paixão e a doçura do seu carácter e, assim, enquanto ele andava a fazer as suas patifarias, ela recolhia os próprios órfãos produzidos pelas insaciáveis pistolas do malvado. A sua chegada a casa era como um vento do inferno, entrava aos pontapés nas portas e a disparar para o ar, ela suplicava-lhe de joelhos que se arrependesse das suas crueldades, mas ele gozava com ela dando tremendas gargalhadas que estremeciam as paredes e gelavam o sangue. Que se passa, beleza?, perguntava aos gritos enquanto as crianças aterrorizadas se escondiam no armário. Como estão os miúdos?, e abria a porta do móvel para os puxar pelas orelhas e tirar-lhes as medidas. Ora aí está!, estou a ver que estão muito crescidos, mas não te preocupes, que num abrir e fechar de olhos vou à aldeia e faço-te outros órfãozinhos para a tua colecção. E assim decorreram os anos e foram aumentando as bocas para alimentar, até que um dia a noiva, cansada de tanto abuso, compreendeu a inutilidade de continuar à espera da redenção do bandido e sacudiu a bondade. Fez uma permanente, comprou um vestido vermelho e transformou a casa num lugar de festa e divertimento, onde se podiam comer os mais saborosos gelados e o melhor leite com malte, fazer toda a espécie de jogos, dançar e cantar. As crianças divertiam-se muito a atender a clientela, acabaram-se as penúrias e misérias e a mulher estava tão contente, que esqueceu as desgraças de antigamente. As coisas corriam muito bem; mas os falatórios chegaram aos ouvidos do chacal e uma noite apareceu como de costume, batendo nas portas, disparando para o tecto e perguntando pelas crianças. Teve uma surpresa. Ninguém tremeu na sua presença, ninguém foi a correr para o armário, a jovem não se atirou aos seus pés a implorar compaixão. Todos continuaram alegremente nas suas ocupações, uns a servir gelados, outros a tocar bateria e tambores e ela a dançar o mambo em cima de uma mesa com um espalhafatoso chapéu decorado com frutas tropicais. Então o bandido, furioso e humilhado, partiu com as suas pistolas em busca de outra noiva que tivesse medo dele e, vitória, vitória, acabou-se a história.»

Em Eva Luna, Isabel Allende




Adeus Amor (Bye, Bye) - Clã

Adeus amor que cresci
Já pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
Que de bom tinha a beber

Adeus amor, vou embora
Não me impeças por favor
Sabes que só vou agora
Porque dei tempo ao amor

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial

Adeus amor já me cansa
A canção do teu cinismo
Essa pose de quem dança
Sempre à beira do abismo

Adeus amor que cresci
Pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
E há mais mundo a beber

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial

1 comment

Pois é, minha linda menina, Quando a vida for "madrasta", veste 2o vestido vermelho" e "dança um mango em cima da mesa". Dá a volata por cima. Sei que vais ser capaz.
Um beijo
M

Enviar um comentário
Arctic Monkeys - Old Yellow Bricks


Rota de colisãO

Lá, entre o Sol e o Si